
A denominação “Vale Europeu”, usada oficialmente para identificar a região metropolitana que reúne cidades como Blumenau, Pomerode, Gaspar, Indaial, Timbó e Brusque, entrou em pauta na Assembleia Legislativa de Santa Catarina e pode estar com os dias contados.
Um projeto de lei complementar apresentado pelo deputado estadual Marquito (PSOL), de Florianópolis, propõe revogar a legislação aprovada em 2024 que instituiu oficialmente o nome “Vale Europeu” para a região. A matéria já começou a tramitar na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alesc.
Na justificativa, o parlamentar argumenta que a denominação atual privilegia apenas parte da formação histórica, ao destacar a herança europeia e não contemplar adequadamente a presença e a contribuição dos povos indígenas e de outros grupos que também fazem parte da construção social da região.
A iniciativa, porém, encontra resistência entre deputados do Vale do Itajaí. Integrante da Bancada do Vale e membro da CCJ, o deputado estadual Napoleão Bernardes (PSD) declarou que trabalhará para manter a nomenclatura Vale Europeu.
Para Bernardes, o termo representa uma marca identitária histórica, cultural e turística, consolidada ao longo das décadas pelos municípios que compõem a região. Ele afirma que a denominação não tem caráter de exclusão:
“O respeito às diferentes visões faz parte da democracia, e tenho respeito pelo deputado Marquito. Mas, na minha avaliação, a denominação ‘Vale Europeu’ não exclui ninguém. Ela reconhece características históricas e culturais que ajudaram a construir a identidade da nossa região”, afirmou.
Com o projeto em análise na CCJ, o debate sobre o nome do Vale Europeu deve se intensificar nos próximos meses, envolvendo não apenas o Parlamento, mas também lideranças regionais, setores do turismo e da cultura, e moradores que se identificam com a marca construída ao longo do tempo.

